Notícias

26.04.2015Porto do Itaqui poderá se tornar nova rota exportadora de carne

Grandes frigoríficos instalados principalmente no eixo Centro-Norte do país estão interessados em exportar carne para diversos países em todo o mundo utilizando a logística do Porto do Itaqui, em São Luís. O mercado em potencial a ser explorado foi aberto após a certificação internacional do Maranhão como zona livre da aftosa com vacinação.

Essa nova rota de exportação de carne, próximo dos maiores mercados consumidores mundiais, chamou a atenção de frigoríficos como Minerva, Cooperativa dos Produtores de Carne e Derivados de Gurupi (Cooperfrigu) e Asa Alimentos, que procuraram a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) e manifestaram esse interesse. Os principais mercados de destino das carnes possivelmente serão Rússia, Japão, México, Egito e Estados Unidos.

O grupo Minerva, com matriz em Barretos, estado de São Paulo, é o segundo maior exportador de carne e a maior exportador de gado vivo do Brasil, atendendo 100 países na América Latina, Ásia, África e Oriente Médio.

O frigorífico maranhense Fribal, que possui duas plantas de abate e produção de carne bovina nos municípios de Igarapé do Meio e Imperatriz, hoje exporta em torno de 9 mil toneladas/ano de miúdos e subprodutos (músculos, aorta, entre outros) para a China, utilizando a logística do Porto de Santos.

O diretor da Fribal, Luis Gustavo Oliveira, disse que se essa operação fosse realizada pelo Porto do Itaqui haveria grande redução nos custos de exportação, além do que abriria oportunidade para a indústria comercializar outros cortes (bem mais nobres) não só para a China como para outros mercados.

Atualmente, as exportações de carnes refrigeradas brasileiras são feitas principalmente via portos do sudeste e sul do país, mais precisamente os de Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí (SC) e Rio Grande (RS) e até mesmo por Pecém (CE).

Mas, com a certificação internacional do Maranhão como zona livre da aftosa com vacinação, o Porto do Itaqui, por possuir uma área de influência (hinterlândia) com grande potencial exportador de carne refrigerada, destacando-se os polos agropecuários do Tocantins e Goiás, passou a ser visto como estratégico. A região é servida pela Ferrovia Norte-Sul que se conecta à Estrada de Ferro Carajás possibilitando acesso eficiente ao porto.

Vantagem - A gerente de Novos Negócios da Emap, Luciana Kuzolitz, lembrou que a localização do Itaqui pode representar uma vantagem comparativa no atendimento de mercados como o americano e mexicano, além da proximidade do Canal de Suez e do Panamá encurtar distâncias para os mercados asiáticos. Também há a possibilidade de aproveitamento da logística de importação de contêineres com fertilizantes do Leste Europeu e Rússia, que podem retornar levando carne congelada para estes mercados.

Luciana Kuzolitz informou que o Porto do Itaqui realizará, nos próximos meses, um estudo de demanda do mercado de carnes (e produtos congelados e refrigerados) visando à futura adequação da sua infraestrutura para atendimento e fomento desses mercados.

 

Mais

- O Maranhão tem 7,3 milhões de cabeças de gado bovino e bubalino. Atualmente, 70% do rebanho fica concentrado no sul-sudeste do estado, próximo aos limites com o Pará e Tocantins (área pré-amazônica).

- O Grupo ASA, com sede em Brasília, tem experiência de mais de 40 anos na avicultura e 20 na pecuária, no Centro-Oeste e Norte do Brasil, respectivamente.

- Situada no sul do Tocantins, região que apresenta mais de 8 milhões de cabeça de gado (principalmente das raças Zebu e Nelore), a Cooperativa dos Produtores de Carne e Derivados de Gurupi (Cooperfrigu) dispõe de ampla pastagem verde, vantagem que possibilita engorda eficiente e carnes mais saudáveis e saborosas.

 

Matéria publicada pelo Subeditor de Economia Ribamar Cunha no Jornal O Estado do Maranhão, 26 de abril.

Voltar